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  • Wesley Sa'telles Guerra

Democracia versus barbárie

“Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo” Diderot

As imagens do passado dia 8 de janeiro, já fazem parte da história do Brasil, um triste episódio para nossa jovem democracia.

A invasão da Praça dos Três Poderes, está longe de ser um ato democrático ou uma manifestação política lícita como alguns teimam em defender... A destruição do patrimônio histórico e cultural do Brasil, além da abjecta intenção de instaurar o caos e vilipendiar nossas instituições é um ataque direto ao coração da democracia brasileira além de incidir em crimes recolhidos na Constituição Federal, na antiga Lei de Segurança Pública e no Código Penal.

A Constituição em seu artigo 5º/XLIV estabelece que “Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático” assim mesmo a Lei de Segurança Nacional (7.170/1983) instituía como crime: Art. 23 – Incitar: I – à subversão da ordem política ou social; II – à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis; III – à luta com violência entre as classes sociais; IV – à prática de qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

Curiosamente a mesma lei foi revogada por Jair Bolsonaro, como forma de controlar as investigações da CPI das Fake News.

É flagrante a tentativa de Jair Bolsonaro de desarticular o Estado para permitir a ação de grupos bolsonaristas, e instaurar seu discurso contra as instituições e o Estado de Direito. Mesmo quando toda a população conhecia já o esquema de fakenews que tinha sua sede no próprio Palácio do Planalto, com reiteradas mentiras, escândalos de corrupção, e uso de notícias falsas, cujo preço pagamos todos durante o auge da pandemia, e que todos fomos testemunha... sem embargo ainda existe uma parcela que dá mais valor à pós verdade do que a verdade em si, uma vez que precisam reafirmar sua visão classista do mundo e sua suposta superioridade moral, econômica, étnica ou religiosa perante os demais.

O lema da gestão anterior usava como base a premissa de que “Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade” ecoando um discurso de ninguém mais do que o desprezível Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista Joseph Goebbels, muitas vezes imitado na gestão anterior e que teve até mesmo um discurso plagiado por nada menos que um ministro.

A permissividade das instituições diante deste crescente discurso antidemocrático, também é um dos fatores que levaram a invasão de Brasília.

Pressionados por uma suposta liberdade de expressão, deram espaço ao discurso da intolerância como discurso político, impossibilitando a dialética política e consequentemente a uma solução democrática, já que o fundamentalismo é cego e funciona como uma espécie de religião, como uma base consolidada que forma parte do próprio processo de autorreconhecimento do indivíduo, e por esse motivo, com ou sem Bolsonaro, seus asseclas, continuaram ecoando esse discurso, deturpando a democracia, se apropriando de símbolos nacionais e defendendo muitas vezes o indefensível. Minimizando os escândalos e desacreditando tudo aquilo que se comprova ser contra sua visão de mundo, já seja a compra de votos, propinas em ouro, ou mansões incompatíveis com a renda...

Porém uma coisa está claro...Apedrejar, atacar o centro neurológico do Estado de Direito, destruir o patrimônio público, incentivar a animosidade das forças armadas contra as instituições civis e os órgãos de representação, NÃO É DEMOCRACIA! Mas barbárie e jamais deverá ser usado como forma de ação pública, ou simplesmente legalizaremos a barbárie como forma de fazer política.

Ainda quando muitos usam as manifestações de categorias profissionais tais como professores ou trabalhadores, cabe recordar que o centro do problema não está na manifestação política, porém no uso da força e da violência, não sendo possível justificar tal ato pela ação de outros grupos. Além do mais, basta ver o tratamento que lhe é dado aos professores quando reivindicam um merecido aumento salarial e o tratamento conferido aos invasores de Brasília...

Independente do lado, o que não devemos nunca viabilizar é o uso da violência para coagir o Estado e as instituições.

O 3º Mandado de Lula apenas começou e a população bolsonarista está sobradamente representada, tanto na câmara como no senado, como para fazer política sem a necessidade do uso da força, porém para fazer isso é necessário dialogar... algo no qual, não costumam ser muito bons aqueles mais fanáticos... e por esse motivo muitos defendem o autoritarismo, já que não querem negociar politicamente seus valores e projetos, mas desejam impor a todos suas regras...

E embora os bolsonaristas acreditem ter a solução para o Brasil... somente seremos um país avançado quando todos participem do diálogo político e todos sejam contemplados... não devem temer a igualdade mas acolher a mesma, em lugar de incentivar um eterno conflito entre os chamados “cidadãos de bem” e os outros...

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